A “difícil” tarefa de escrever sobre sexo

Posted on novembro 24 2009 by Fernanda Lizardo

Depois que o Sexto Sexo começou a ficar conhecido, muita gente passou a me perguntar:

- E aí? Os homens se aproximam muito de você procurando pela personagem?

Aí está uma pergunta complicada de responder.

Quando eu comecei o blog – em 2001 – não tinha isso de fazer sucesso na internet. Palavras como “monetizar” (que eu detesto, aliás) eram desconhecidas. Não existia Google (a gente fazia buscas num site chamado “Cadê?”, que depois virou propriedade do Grupo Yahoo). Não existiam links patrocinados. No máximo alguém colocava um banner de propaganda, mas era um troço tão tosco que era melhor evitar.

Então o fato é que, quando o blog nasceu, eu não fazia ideia do que viria a se tornar.

Só sei que, por muito tempo, minha vida amorosa nunca pôde ser associada a ele, não só porque ninguém sabia que eu escrevia, como eu era muito sossegada no quesito “namorico”. Ou seja: dava na mesma.

Só que, é claro, conforme os anos foram passando, comecei a virar “a menina do Sexto Sexo”. Mas aí eu nem sei o quanto isso alterou em meus encontros, porque veio tudo junto. Muitos me conheceram sem saber do site. Mas outros, claro, sabiam. Não digo que escapei totalmente das saias justas.

Encontrei alguns sujeitos que tinham verdadeiro orgulho em falar para os amigos com quem estavam saindo. Mas, nesse caso, acho que não é muito diferente da situação de uma mulher que sai em revista masculina, por exemplo, no melhor estilo Sabe a Flávia Alessandra? Estou comendo!

Em uma ou duas vezes, não nego, escrevi textos direcionados para pessoas de quem estava gostando. Às vezes eles ficavam esperando pelo texto. E depois se enchiam de orgulho por saber que foram “fonte de inspiração”. Mas era quase uma brincadeira, uma modalidade 2.0 de troca de bilhetinhos num bar.

Houve o caso de um (e só ele!) que ficou incomodado. Morria de pavor de imaginar que havia outros homens se masturbando por causa dos textos da minha mulher. É lógico que o relacionamento não vingou.

Houve outros que diziam não querer encontrar a personagem. O engraçado é que esses, no fim, só queriam a Cooper mesmo, porque quando descobriam que a Fernanda era “normal” – com todas as inseguranças, aptidões para relaconamentos estáveis e ansiedades de qualquer mulher – tomavam um susto e achavam que a coisa tinha perdido a graça. Acho mesmo é que esses tinham medo de aparecer em algum texto, sendo criticados pela “performance” porque, se fosse para escolher, é lógico que optariam pela ficção, que dá menos trabalho para administrar.

Em comum, acho que houve expectativa excessiva por parte de todos no quesito “quatro paredes”. Eu nunca entendi bem isso, mas acho que é coisa de homem ler texto erótico e pensar: “Uau, será que ela faz isso mesmo?”

O lado positivo disso é que sempre procurei me superar para não deixar uma decepção. Nessa brincadeira aprendi muita coisa, ousei, não tive vergonha de experimentar. O lado negativo… Bem… Não sei. Confesso que não me lembro da minha vida sem o blog. E durante um tempo eu mesma me misturei às narrativas e não soube separar quem era quem.

Por conta disso, acho que não posso culpar muito os meninos que passaram pela minha vida. Se eu, que era a dona das ideias, às vezes ficava perdida, imagine eles!

Mas quer saber a verdade? Eu acho que minha vida amorosa/sexual não teria sido muito diferente sem o Sexto Sexo. Querendo ou não, todo mundo teve de lidar com uma criatura de carne e osso em algum momento. Mesmo que eu tivesse me esforçado ao máximo para ostentar a aura do personagem, seria impossível fazê-lo o tempo todo.

Ou você acha que dá para se manter Cooper, linda e sexy, quando se acaba de acordar?

4 Responses to “A “difícil” tarefa de escrever sobre sexo”

  1. [...] ouro editando o blog em livro.  Aliás, li hoje em seu blog um texto muito bom dela comentando da “Difícil Tarefa de Escrever Sobre Sexo”. O Pequenos Delitos, que está no ar desde 2006, se mantém, mas é impossível também não notar [...]

  2. Marcos P. disse:

    Apenas para constar, EU SOU HOMEM, mas nao sei onde me encaixo, na maioria ou na minoria?
    Homem tambem é muito indeciso, mas… ta ta ta… se eu falar minoria, vao achar que sou Narcisista. eahueahueahueauea

  3. Vicente disse:

    Legal esse texto. Gostei. Meu Blog não tem nenhuma relação com sexo, mas mesmo assim acaba rolando a diferença entre a pessoa e o personagem, algo abissal…rs
    Sucesso e felicidades pra você. A gente sempre precisa de coisas boa, né?
    Beijão

  4. Marcos P. disse:

    É interessante sua colocação, mas eu acho que a maioria dos homens gostam das fantasias, e quando caem na realidade, acham que esta ficando monótono.
    Mas mal sabem (a maioria dos homens) que o bom do relacionamento, é sim SEXO sem duvida com fantasias e tudo mais, mas tambem o dia a dia, o descobrir todos os dias uma nova mulher que esta ao seu lado, superando a monotonia, e convivendo para se descobrirem sexualmente a afetivamente.

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