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	<title>Sexto Sexo &#187; Sem categoria</title>
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	<description>Blog de Fernanda Lizardo, autora do livro Sexto Sexo</description>
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		<title>Que tudo se realize&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 20:33:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sou de fazer resoluções de ano novo. Nunca segui muitos rituais ou fiz planos, pois sempre considerei que muita coisa não mudaria do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro.
De fato, isso tem um bom fundo de verdade, afinal é só um calendário. Porém sou consciente de que alguns marcos são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #800000;">Não sou de fazer resoluções de ano novo.</span></strong> Nunca segui muitos rituais ou fiz planos, pois sempre considerei que muita coisa não mudaria do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro.</p>
<p>De fato, isso tem um bom fundo de verdade, afinal é só um calendário. Porém sou consciente de que alguns marcos são importantes para o ser humano, pois ajudam a dar novo gás para respirar fundo, se esquecer do que deu errado e recomeçar.</p>
<p>Neste ano, entretanto, tudo está sendo diferente. Não que vá acontecer algo de extraordinário na &#8220;virada&#8221;, até mesmo porque não planejei nada demais. Estou no computador por mais tempo do que o esperado, pois estou de plantão no trabalho (tudo bem, isso ajuda a fazer juz ao refrão &#8220;muito dinheiro no bolso&#8221;&#8230;); não planejei nenhuma festa grandiosa, estou em Minas Gerais com a família, em reunião contida e fechada, regada a comidas de mãe e bebidas legais. No mais, nenhum ritual, nada de pular ondas, comer romã, usar roupas brancas, usar roupa íntima amarela&#8230; Mas nem por isso o momento será menos interessante. Estou cercada por pessoas que adoro e que realmente torcem por mim. </p>
<p>Entretanto, mesmo sem seguir a rota das celebrações da época, o sentimento está sendo diferente de todas as comemorações de <em>reveillon</em> anteriores. Há a sensação de que 2010 será uma continuação de um 2009 excelente. <strong><span style="color: #800000;">Os últimos 12 meses foram muito bons para mim em todos os sentidos, por isso há um otimismo extra para o novo ano que se inicia.</span></strong> Pela primeira vez tive a sensação de que todos aqueles desejos feitos à meia-noite se realizaram. Foi como se a dieta prometida para o primeiro dia do novo ano tivesse funcionado. Foi como se a promessa de começar a fazer exercícios tivesse se consumado. Foi como se o emprego, o dinheiro e o amor tivessem chegado num passe de mágica.</p>
<p>Acho que essa sensação me atingiu porque tudo foi muito mais palpável. Não houve o ano &#8220;mais ou menos&#8221;. Houve uma série de marcos, daqueles que fazem o ser humano funcionar, daqueles que me permitirão dizer daqui a alguns anos frases como &#8220;Foi em que 2009 que finalmente consegui (coloque aqui a dádiva que desejar)&#8230;&#8221;.</p>
<p>Este texto é apenas para dizer que desejo um 2010 assim, tão cheio de perspectivas como o meu. Não um novo ano, mas uma continuação. Ainda que seus últimos meses não tenham sido bons, creia que tudo pode melhorar. Provavelmente não no dia 1º de janeiro, mas talvez em março, em junho, em agosto ou até em dezembro próximo. O importante é não parar.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Feliz ano novo.</span></strong></p>
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		<title>Você sofre de insônia? Culpa da internet discada!</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 10:49:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Creio que 80% das pessoas que conheço têm problemas para dormir. Quando não custam a pegar no sono (adormecendo lá pelas três da madrugada depois de muito rolar na cama), dormem mal, acordam várias vezes durante a noite ou têm sono agitado. Invariavelmente, todas acordam mortas de cansaço. Passam o dia sonolentas e, à noite, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Creio que 80% das pessoas que conheço têm problemas para dormir. Quando não custam a pegar no sono (adormecendo lá pelas três da madrugada depois de muito rolar na cama), dormem mal, acordam várias vezes durante a noite ou têm sono agitado. Invariavelmente, todas acordam mortas de cansaço. Passam o dia sonolentas e, à noite, estão elétricas. Seria uma horda de novos vampiros, pessoas que trabalham melhor durante a madrugada e que trocariam o dia pela noite numa boa?</p>
<p>Comecei a maquinar sobre o assunto (já que durante longos anos também me encaixei nessa turma dos &#8220;mal dormidos&#8221;) e procurei um ponto em comum entre todos. <span style="color: #800000;"><strong>Qual seria a causa da falta de sono na madrugada, já que este problema parece ter atingido as pessoas com mais veemência de dez anos para cá?</strong></span> Vida agitada? Falta de grana? Preocupações extremas? Espírito festeiro? Os quesitos citados não faziam sentido dentre todos os analisados, mas havia uma interseção: todos eram usuários ativos da internet.</p>
<p>É verdade que internet, TV e (alguns) livros têm o poder de despertar a mente e fazer você perder o sono. Mas suspeito que a questão vai além da capacidade de entretenimento de tais veículos.</p>
<p>Lembra-se de quando você ficava acordado até depois de meia-noite para poder <em>pagar um único pulso</em> na conexão da internet? Até hoje me recordo do barulhinho de discagem&#8230; A apreensão quando a linha estava congestionada e a grande alegria ao ouvir os chiadinhos que indicavam sucesso na conexão. E o mantra da época era: <em>Vou ficar conectado só um pouquinho.</em> E aí o que acontecia? Você seguia noite adentro até cinco, seis da manhã. E ia estudar ou trabalhar quebrado.</p>
<p>Até que chegou aquele artefato maravilhoso chamado internet banda larga. Mas, por alguma razão misteriosa, todos carregamos conosco o hábito de varar <em>online </em>noite adentro. Ainda que fiquemos conectados durante todo o dia, algo nos atrai àquele velho ritual. De madrugada parece ser mais gostoso navegar. Não há interrupções. Não há gente ali detrás da cadeira fuçando os sites por onde passamos. É a nostalgia estranha, onde sentimos falta de uma tecnologia rasteira e nos deliciamos matando as saudades dos tempos em que era um parto conectar. E é por isso que lá perto da meia-noite, quando vem o pensamento de que é hora de ir para a cama porque amanhã é dia de trabalho, você sempre evoca aquele conhecido <em>só mais um pouquinho, daqui a pouco vou dormir, juro</em>&#8230; E segue até o amanhecer.</p>
<p>Pare de culpar sua rotina corrida, seu emprego chato, as atribulações da vida moderna, seu salário atrasado e a briga com sua esposa por seu sono ruim.<span style="color: #800000;"><strong> A culpada pela sua insônia é a internet discada.</strong></span></p>
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		<title>Pequenos gestos de carinho (a quem os merece)</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 12:49:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre que há planos de passar o natal em família na minha casa, meus pais dão a seguinte ordem antes de vir:
- Não compre nada. Deixe tudo por nossa conta.
Então, quando chegam, vão ao supermercado e abarrotam a geladeira com todas aquelas delícias típicas de fim de ano e todos os supérfluos imagináveis. É a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre que há planos de passar o natal em família na minha casa, meus pais dão a seguinte ordem antes de vir:</p>
<p>- Não compre nada. Deixe tudo por nossa conta.</p>
<p>Então, quando chegam, vão ao supermercado e abarrotam a geladeira com todas aquelas delícias típicas de fim de ano e todos os supérfluos imagináveis. É a forma que encontram de fazer um agrado.</p>
<p>Desta vez vai ser diferente. Resolvi &#8220;desobedecer&#8221; e eu mesma fiz as compras, tomando o cuidado de escolher itens que pudessem agradar a todos. Me dei conta de que já fiz tanta coisa por pessoas menos importantes. Se já pude sair às altas horas da noite para comprar um pote de <em>Chicabon </em>para algumas criaturas que nem mereceram esse carinho, por que não fazer o mesmo pelo meu pai (que com certeza merece)?</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Às vezes a gente tem essa mania&#8230; Valoriza tanto os que vêm de fora, que acaba se esquecendo de quem realmente importa.</strong></span> E de repente lá estamos nós comprando um presentão para a melhor amiga, indo fazer um sanduíche para o namorado às quatro da manhã. E para a família&#8230; Nada?</p>
<p>Está certo que muita gente tem relações familiares péssimas. Eu mesma conheço raras pessoas que realmente se dão bem com pai <span style="text-decoration: underline;">e</span> mãe. Felizmente, posso dizer que faço parte desse time. E tenho mais liberdade com ambos do que com qualquer amigo &#8220;de fora&#8221;. Eles, sim, são companheiros. Posso compartilhar tudo (mesmo! Até aquela confissão sobre o amasso dado no sueco lindo que conheci na festa X). E quando estiver em momento mais frágil, certamente nunca ouvirei um &#8220;Se vire aí sozinha, filha, que vou ali viver minha vida&#8221;. E é exatamente por essa razão que agora meu pai vai encontrar a cerveja favorita dele (gelada!) e minha mãe vai adentrar a cozinha e achar todas as frutas que ela adora (e que nem sempre consegue encontrar na cidade onde mora).</p>
<p>Não é só pela questão material do negócio, mas pelo carinho dos pequenos gestos. Na última vez em que voltei de um passeio à casa da minha irmã, por exemplo, assim que abri a mala encontrei uma bisnaga de salaminho escondidinha em um embrulho (quem convive comigo sabe que esta é minha &#8220;iguaria&#8221; favorita). A diferença foi exatamente o gesto. Porque, afinal, eu posso comprar salaminho em qualquer lugar. Mas o fator surpresa e o cuidado em colocar em meio às minhas coisas algo de que gosto muito é que é o ponto alto do negócio. E eu sou fã disso. Guardo bilhetinhos antigos, papeis celofane de bombom, canhoto de ingresso de cinema&#8230; Objetos que representam o carinho diário dos outros.</p>
<p>Sempre que alguém que conheço perde um ente querido, normalmente diz se arrepender de não ter dito tantos <em>eu te amo</em> quanto poderia àquele que se foi. Eu não. Eu só penso que poderia ter feito mais dos pequenos gestos &#8211; mesmo que tenha feito mil deles, nunca seriam o suficiente. Esse é meu modo de dizer que gosto, adoro, amo.</p>
<p>Este natal vai ser mais do que especial porque pela primeira vez vou poder retribuir aquilo que as pessoas mais importantes na minha vida sempre fizeram para mim. E não me interessa se isso vai estar personificado em uma bobagem como um pacote de batatas <em>chips </em>na despensa; essa atitude aparentemente boba é o pedaço mais palpável da lição que ficou neste ano que está por terminar: <span style="color: #800000;"><strong>ter afeto de sobra não é ruim e nem sinônimo de grude. Basta saber distribui-lo àqueles merecedores que estão realmente abertos a recebê-lo.</strong></span></p>
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		<title>Plano B</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 12:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu nunca me dei muito bem com mudanças. Tive épocas de ficar irritada com uma chuva no meio da tarde que estragava a ida ao supermercado planejada com tanta antecedência. Acha que adiantou estressar? Nada. Depois de muita pancada, enxerguei que era um comportamento imaturo. O mundo não girava em torno de mim. Aí fui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800000;"><strong>Eu nunca me dei muito bem com mudanças.</strong></span> Tive épocas de ficar irritada com uma chuva no meio da tarde que estragava a ida ao supermercado planejada com tanta antecedência. Acha que adiantou estressar? Nada. Depois de muita pancada, enxerguei que era um comportamento imaturo. O mundo não girava em torno de mim. Aí fui aprendendo a lidar com imprevistos  &#8211; e eles estão sempre aí. Foi então que me propus a ter sempre um plano B.</p>
<p>Quando eu era adolescente, queria muito montar uma banda. E tinha aquele sonho meio irreal de fazer algum sucesso com isso. Sou fã da dinâmica das bandas de garagem que começam despretensiosamente e chegam ao auge de modo quase casual. Recebi apoio em casa para seguir com essa intenção meio maluca, mas dentro de algumas condições.</p>
<p>- Quer fazer sucesso com música? Tudo bem. Então vá estudar.</p>
<p>E lá fui eu fazer faculdade de música.</p>
<p>No meio do caminho, descobri que meus planos não iam dar muito certo. O ramo não era dos melhores e eu não era um talento nato na área. Como sonho não enche barriga, se quisesse trabalhar com algo que me sustentasse, teria de repensar os limites de tal ânsia. Foi algo esquisito de se fazer. <span style="color: #800000;"><strong>Quando você é bem jovem, os sonhos parecem tão palpáveis. Mas vida adulta é outra coisa.</strong></span> De certa forma, quebrar aquele desejo antigo equivaleu a tomar um soco no estômago, pois foi a primeira vez que me dei conta de que era preciso uma boa dose de realismo para levar a vida. O único alívio foi constatar que o desejo de me manter sozinha, sem ajuda financeira de ninguém, era maior do que qualquer outra vontade. Isso me deu forças para modificar a rota.</p>
<p>Aí comecei a mexer com jornalismo. Entrei na profissão quase ao acaso e só iniciei o curso formal na universidade bem depois de ter começado a trabalhar na área. Mudei o rumo dos meus &#8220;sonhos&#8221; e pensei em construir algo sólido no ramo.  E encarei o desvio como uma ótima forma de me infiltrar no campo dos escritores profissionais, pois também tinha o desejo de lançar um livrinho.</p>
<p>Tudo correu bem por um tempo. Quando completei quatro anos em uma mesma empresa, já levava bem a sério a possibilidade de fazer carreira ali mesmo. Fiquei sabendo que a diretora da sucursal do Canadá começara como estagiária e me animei a crescer da mesma forma. Só que me dei conta de que eu não estava no Canadá. A divisão brasileira não tinha planos de carreira e nem o hábito de reter talentos. Veio uma crise que abalou as estruturas da companhia. Cargos foram cortados. E lá estava eu, deixando a função e sendo obrigada a rever os planos mais uma vez.</p>
<p>Nesse meio tempo, me envolvi mais no ramo editorial, trabalhando com literatura mesmo, em vez de revistas. No esquema de fazer tantos contratos de <em>royalties </em>e aprender a dinâmica do negócio, notei que também não ia ser mole me sustentar como escritora. Eu não sou um Luis Fernando Veríssimo. Aí pensei: &#8220;E agora? Não montei minha banda, não vendi milhares de livros, não abri uma lacuna para me tornar presidente da grande empresa jornalística&#8230;&#8221;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Aí percebi que não precisaria abrir mão de nenhum sonho antigo. Só seria questão de me adaptar a eles.</strong></span></p>
<p>Não montei minha banda. Mas piano, violão, microfone, gaita e todas as parafernálias possíveis estão lá em casa, sendo ativamente usadas. Não toco para multidões, mas não paro de criar, o que para mim é mais do que suficiente.</p>
<p>O livro saiu (o link para compra está logo ali no topo deste blog, viu?!) Não creio que vá vender grande coisa, mas descobri que não queria viver disso. Queria lançar, só isso, ter meu nome ali na capa e colocar na estante da sala (bem entre o Veríssimo e o Edgar Alan Poe).</p>
<p>A carreira jornalística&#8230; Essa acabou sendo substituída por um trabalho bem diferente, na área de logística. E cá estou eu me adaptando de novo, pensando em fazer cursos e especializações no ramo atual, satisfeita com a remuneração e com o reconhecimento.</p>
<p>E as adaptações não se limitaram ao profissional, claro. Houve uma época em que pensei em dividir o apartamento para reduzir um pouco as despesas. Para quem vive só há anos, essa hipótese pode ser um pesadelo. Porém, em vez de me concentrar na parte ruim (colocar uma pessoa no meu apartamento e correr o risco de levar calote; perder a privacidade; não poder receber visitas com a mesma liberdade), me concentrei na parte boa (ter uma companhia constante; gastar menos; ter alguém para me ajudar no dia a dia). O engraçado é que tão logo encontrei a pessoa ideal para morar comigo, consegui um trabalho que trouxe uma fonte de renda inesperada e pude abortar o plano, mantendo a vida como sempre foi.</p>
<p>Agora você pergunta&#8230; Mas por que ter um plano B? Muita gente não evolui exatamente por se prender demais a uma determinada perspectiva. <span style="color: #800000;"><strong>Ter sonhos é bom, não desistir deles é melhor ainda</strong></span><span style="color: #800000;"><strong>, entretanto, estamos em um mundo real no qual as contas não vão parar de chegar enquanto você devaneia e o universo não vai parar para esperar suas decisões.</strong></span> Não adianta ter fé na realização de um desejo se tudo o que você faz é aguardar que as situações venham exatamente como na imaginação.</p>
<p>Em muitas vezes foi terrível seguir a maré. Tive a sensação de estar desviando do que me fazia feliz de verdade. Pensei que nunca poderia dizer que realizei um sonho de infância. Mas realizei. E creio que o rumo foi melhor do que eu pudesse conceber.</p>
<p>Hoje nada me tira do sério. Perdi o emprego? O pretenso namorado resolveu terminar tudo? Vou ter de me mudar de cidade? Os exames acusaram uma doença difícil de ser tratada? Quando se tem um plano B na manga, tudo se resolve &#8211; principalmente porque você desencana daquilo que tanto martela a cabeça no momento de desespero. E, de um jeito surpreendente, os velhos sonhos acabam caindo no colo.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Aposto que você tem sonhos que guiam sua vida. E agora? Já pensou no plano B?</strong></span></p>
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		<title>Relacionamento sério. Quem curte?</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 19:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Costumo dizer que se relacionar é muito fácil, as pessoas é que complicam.
Parece ironia, já que o que mais vejo são pessoas reclamando que ninguém quer namorar, mas não é bem assim. O grande problema é que tem muita gente que insiste quando o jogo já é dado como perdido.
Meu relacionamento mais longo durou cinco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Costumo dizer que <span style="color: #800000;"><strong>se relacionar é muito fácil, as pessoas é que complicam</strong></span>.</p>
<p>Parece ironia, já que o que mais vejo são pessoas reclamando que ninguém quer namorar, mas não é bem assim. O grande problema é que tem muita gente que insiste quando o jogo já é dado como perdido.</p>
<p>Meu relacionamento mais longo durou cinco anos. Foi legal e acabou simplesmente porque saímos de sintonia. Apesar de ele ser bem mais velho, não tinha grandes aspirações, era muito pacato, ainda morava com a família. O total oposto de mim. Eu já morava sozinha, era mais impulsiva com tudo, tinha ambições enormes (ainda tenho, na verdade). Em algum momento essa diferença causou um choque. Terminamos numa boa, ainda mantivemos convivência constante durante um ano após o fim &#8211; e só nos afastamos porque isso atrapalhava a possibilidade de ambos entrarem em novos relacionamentos.</p>
<p>É essa mesma falta de <em>timing </em>[que causou o fim de uma relação já existente] que muitas vezes não permite que um casal inicie algo mais &#8220;sério&#8221;.</p>
<p>Hoje, por exemplo, o sujeito não precisa fazer grandes esforços para dormir com alguém (lembre-se de que na década de 20 só casando, indo a prostíbulos ou sendo muito discreto com algumas mocinhas ditas &#8220;de família&#8221;). E nem precisa pegar a mulher na boate. Pode ser a amiga. <strong><span style="color: #800000;">Toda turminha tem o que minha mãe chama carinhosamente de mulher-corrimão (&#8221;aquela em quem todo mundo passa a mão&#8221;). É a garota que reveza na cama dos amigos entre um fim de semana e outro, oferece um ombro amigo, às vezes paga um ingresso para o show e a conta do bar. Ou seja: basicamente faz o papel de namorada, mas sem assumir o compromisso.</span></strong> Nada contra. Se eu fosse um dos caras a ter este benefício, certamente também não iria querer relacionamento por fora. Quer coisa melhor do que o bônus sem ônus? Porém, como porção feminina do jogo, já não arrisco a me meter nessa. Dormir demais com a mesma pessoa ou conviver demais com quem durmo mexe com meu emocional. Não saberia dormir com três caras da mesma turma e fingir que nada aconteceu. Não por puritanismo, mas, sei lá&#8230; Eu só convivo demais com quem gosto mesmo. Imagina ficar saindo com o bonitão por fins de semanas intermináveis sem deixar o carinho aflorar? Não dá. Não tenho uma pedra batendo no peito. Além do mais, é tão gostoso ir descobrindo o outro, construir a intimidade. Pular de galho em galho (ou de cama em cama) não proporciona isso. Fora que é difícil olhar para o dito cujo sem voltar a recordar determinadas partes anatômicas dele (e dependendo do caso, é dureza segurar o riso&#8230;.)</p>
<p>O lance de querer relação depende também da fase da vida em que se está. Sempre que me mudei para uma nova cidade, por exemplo, precisei de um tempo até querer ficar seriamente com alguém. Sabe como é: cidade nova, gente nova, uma nova rotina a se montar, trabalho novo, tudo novo&#8230; Existe um tempo necessário para explorar as descobertas até chegar à fase do sossego. É mais ou menos como o <em>test-drive</em> antes de comprar o carro.</p>
<p>Coloque aí nesse meio problemas com trabalho, distância (namorar em cidade grande tem dessas coisas), contraste entre situação sócio-econômica-cultural do casal&#8230; E as opções são tantas! Se a cada dia você pode conhecer uma pessoa diferente, tem de estar mesmo <span style="text-decoration: underline;">muito</span> a fim para &#8220;estacionar&#8221; numa vaga fixa.</p>
<p>Mulheres normalmente não pesam isso. Eu mesma já entrei em relações previamente furadas. Às vezes sabia que o sujeito cedo ou tarde iria apresentar contrastes irreconciliáveis. Mas insistia. Vejo agora que não adianta. É bobagem quando ambos estão em fases diferentes.</p>
<p>Eu tenho tendência a querer sossegar em um relacionamento quando entro num âmbito tranquilo em outros campos da vida. Se estou com emprego estável, grana no bolso, casa bonitinha e montadinha, rotina feita e sem planos de mudança de cidade, nada mais natural do que desejar estabilidade na vida afetiva. Se isso é sinônimo de querer casar e arrumar dez filhinhos? De jeito nenhum. Namorar é bom. Aliás, é o compromisso que menos dá dor de cabeça. Se tiver de evoluir&#8230; O tempo diz. (Mas, particularmente, matrimônio e rebentos nem estão nos meus planos.)</p>
<p>Por fim, não creio nessa história de que muita gente não quer namorar. Concordo, sim, que há uns gatos pingados que não o querem porque são irresponsáveis por natureza, têm amigas-corrimão na turma (ou o famoso &#8220;pau amigo&#8221;) ou até são incapazes de se interessar <em>taaanto </em>assim por alguém a ponto de querer passar mais tempo ao lado dessa pessoa. Entretanto, há muita gente aberta a construir algo bacana&#8230; Basta saber enxergar o <em>timing</em> (ou admitir a falta dele).</p>
<p>Lógico que, quando a gente se apaixona, nem sempre é moleza notar que o outro não está a fim de compromisso. <span style="color: #800000;"><strong>Mas o ser humano é assim mesmo: complica até uma coisa simples como um relacionamento.</strong></span></p>
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		<title>Por uma vida mais offline</title>
		<link>http://sextosexo.com/por-uma-vida-mais-offline/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Dec 2009 11:12:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando mais nova, nunca gostei muito de computadores. E confesso que me aproximei de um por pura obrigação &#8211; e já meio velha &#8211; pois os professores da faculdade não mais aceitavam trabalhos manuscritos.
Essa relação conturbada permaneceu até a internet surgir e ficar mais acessível. Mesmo discada e lentíssima, me pegou de jeito. Fiquei fascinada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando mais nova, nunca gostei muito de computadores. E confesso que me aproximei de um por pura obrigação &#8211; e já meio velha &#8211; pois os professores da faculdade não mais aceitavam trabalhos manuscritos.</p>
<p>Essa relação conturbada permaneceu até a internet surgir e ficar mais acessível. Mesmo discada e lentíssima, me pegou de jeito. Fiquei fascinada pela possibilidade de jogar qualquer assunto de meu interesse na barra de um site de buscas (hoje praticamente resumido ao Google) e encontrar muito mais informações do que poderia imaginar.</p>
<p>Sou do tempo em que para se ter notícias da sua banda favorita, por exemplo, era preciso torcer para que as revistas ou jornais publicassem alguma coisa (e quando se é fã de música internacional ou de bandas que não sofrem de superexposição, essa espera pode ser um verdadeiro martírio). A internet acabou com isso. Bastava caçar ali no site e pronto! Fotos, notícias fresquinhas, troca de informações com outros apreciadores do mesmo estilo de canções. E o interesse foi além da música, claro! Cinema, teatro, artigos científicos&#8230; Tudo à mão. Um novo e enorme mundo se abria.</p>
<p>Obviamente, não tardou para que eu fosse conquistada por outros recursos. Acabei criando um blog&#8230; Fiz perfis em todas as redes sociais possíveis. Em pouco tempo era a verdadeira viciada em computadores, a ponto de não me lembrar da rotina antes deles. Esse vício me pegou por anos. E foi bastante intensificado pela chegada da conexão em banda larga.</p>
<p>Só que comecei a repensar essa relação com o mundo virtual no início de 2009, ao dar uma palestra no <em>Campus Party</em>. A essa altura eu já estava com o blog no ar há oito anos, havia conhecido dezenas (ou até centenas) de pessoas por causa da internet e tinha a grande chance de sanar a curiosidade sobre esse mundo meio <em>hype</em> dos &#8220;famosinhos&#8221; da rede, onde todos parecem tão fantásticos e bacanas. Só que foi uma desilusão. Primeiro porque atraí uma série de interesseiros que nunca se preocuparam em me cumprimentar antes de eu subir num palco. Segundo porque muitos dos bem cotados na vida virtual eram decepcionantes no mundo real: monotemáticos nas conversas, reclamões, pessimistas, provindos de relações familiares conturbadas e um pouco mentirosos em relação àquele <em>status </em>social que tanto exibiam (conheci muita gente que deixou de comer &#8211; literalmente &#8211; para comprar um <em>Iphone</em>).</p>
<p>A constatação não foi tão impactante de cara, mas me levou a repensar aos pouquinhos se eu queria mesmo fazer parte daquele mundo. Nessa brincadeira o cansaço limou meu blog sobre sexo. Outro alívio. (Sim, eu sei, este texto é prova de que voltei a escrever publicamente, porém, não quero que se torne obrigação. Nem sei quanto vai durar&#8230; E confesso que estou pouco ligando se irá mesmo durar.)</p>
<p>Depois de algum tempo, comecei também a observar minhas relações com as pessoas. O <em>Twitter </em>foi uma rede bastante responsável por essa reavaliação. Ele me colocou em contato com um universo estranho no qual todo mundo perdeu a noção do convite &#8220;individual e intransferível&#8221; para qualquer coisa.  Simplesmente lançava-se um &#8220;Estarei no bar X, hora tal. Todo mundo para lá! Partiu!&#8221; e pronto. Quando eu atendia a um desses chamados, muitas vezes me deparava com um ambiente com 30, 40 pessoas sem a menor intimidade entre elas. Havia, sim, necessidade de demonstrar essa intimidade. Mas era tudo superficial. E, por fim, ninguém interagia ou criava laços. Lógico que no início não me toquei, mas depois comecei a achar esquisito até convite de aniversário ser feito pelo<em> Google Wave</em> ou pela agenda de eventos do <em>Orkut</em>. O sujeito podia conhecer pessoalmente só 100 da lista, mas ia lá e convidava os mil.</p>
<p>Resolvi então fazer um teste e listar as pessoas com quem travei o primeiro contato via internet (antes de ir rumo ao real). Apenas duas me conheciam bem ou sabiam coisas triviais a meu respeito, como meu sabor de sorvete favorito ou o nome dos meus pais. O restante&#8230; Números, números, números. Referiam-se a mim como <em>amiga</em>, mas eu não o era de fato. Após meses, fui tomada por um incômodo: que tipo de relações eram essas em que, em um ou dois anos de convivência, não havia evolução&#8230;? Será que valia a pena manter algo que não me acrescentava nem diversão momentânea? Qual era a graça da falsa intimidade?</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Me deu pavor perceber que estava caindo naquele meio onde o símbolo do corte de um relacionamento é o <em>Vou te bloquear no meu Twitter e te excluir do MSN</em>.</strong></span> Relações são tão mais intensas do que isso! Até brigar na vida real tem um significado mais amplo, que permite discussões, trocas, emoção de todos os lados&#8230;! (Aliás, já notou como a internet estimula um número absurdo de conflitos? Ninguém discute tanto assim no universo de carne e osso.)</p>
<p>Caí em novo dilema quando, certa noite, fui a uma festa e um amigo apareceu por lá. Ele estava meio mal humorado, chato mesmo. Dez minutos depois de chegar (e já expondo a cara fechada), sacou o celular do bolso e jogou uma mensagem deste gênero no <em>Twitter</em>: &#8220;Mais uma noite leve e agradável com os amigos. Muito bom!&#8221; Ou seja: o oposto do que estava realmente acontecendo. Aí comecei a observar todos os &#8220;amigos&#8221; que faziam questão de jogar na internet um detalhe ligado ao lazer&#8230; Me dei conta de que, quanto menos se divertiam, mais vontade tinham de dizer que estavam se divertindo. (E eu vi o quanto também estava achando aqueles encontros bem enfadonhos, já que estava parando para vê-los construir suas frases de 140 caracteres.)</p>
<p>Constatei com pesar que eu mesma já fiz essa coisa de querer &#8220;divulgar o nível de satisfação&#8221; rendido por um programa. Nunca o fiz durante as festas (felizmente não virei adepta da navegação via celular), mas muitas vezes cheguei em casa e publiquei no <em>Twitter </em>o quanto um evento foi bom. Quer a verdade? Na maioria das ocasiões foi uma tentativa de me convencer de que havia sido mesmo bom &#8211; porque nas vezes em que foi mesmo legal, cheguei cansada (aquele cansaço gostoso pós-festa), a fim de apenas tomar um banho e deitar.</p>
<p>Após um tempinho nessa construção de relações e encontros iniciados via grande rede, comecei a me notar oca. E veio a  necessidade imensa de recordar a vida antes dessa coisa toda de &#8220;divulgo a festa particular e vai quem quer&#8221;. Parei de fazer e de aceitar convites a esmo. Cheguei à conclusão de que era tudo consequência da falta de um contato mais intenso, como se os convidados convocados pelo <em>Twitter </em>fossem a última opção. A solução? Reduzir o ritmo das mensagens e sumir um pouco da vida virtual.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Claro que para uma <em>viciada </em>em internet o começo não foi fácil.</strong></span> Mas percebi que precisava &#8220;reaprender&#8221; a interagir. O impacto veio logo. De repente estava recebendo convites bem direcionados. Mesmo quando vinham de uma fonte &#8220;moderna&#8221; &#8211; chegando por e-mail, por exemplo &#8211; eu sabia que eram &#8220;exclusivos&#8221;, ou seja, feitos a mim e aos poucos felizardos escolhidos para figurar na lista de destinatários. Nossa, que diferença! Dava para ver que todas as pessoas estavam ali porque eram amigas, elas interagiam <span style="text-decoration: underline;">mesmo</span>. Tão oposto ao clima daqueles encontros divulgados no <em>Twitter </em>ou no <em>Orkut</em>, nos quais o remetente nem sabia direito a quem estava sendo mandado o recado!</p>
<p>E foi aí que me flagrei me divertindo de verdade. Em todos esses locais fui cercada por gente cheia de assunto. E todo mundo animado de fato &#8211; a ponto de nem se lembrar da existência dos computadores. (Muito menos para postar coisas como <em>Estou na Lapa com @fulano e @beltrano e a festa está ótima, u-huuu</em>)</p>
<p>Enxergo que quando me rendi a isso, foi por pura frustração.<span style="color: #800000;"><strong> Se não houver cuidado, o mundo virtual cria uma carência imensa, pois as relações são numerosas, mas pouco profundas.</strong></span> E de repente você quer que todos saibam o quanto &#8220;sua vida é maravilhosa, seus amigos são perfeitos e seus passeios são ótimos&#8221;&#8230; Mas, no fundo, sabe que está apenas tentando se convencer disso para preencher o vazio que te aflige. Ao encarar a realidade, sem hipocrisia, pode vir a descobrir com tristeza que, caso estivesse mesmo envolvido na alegria do momento, nunca precisaria parar para dizer o que é patente. <span style="color: #800000;"><strong>Ou por acaso você interromperia o orgasmo só para colocar no <em>Twitter </em>que gozou?</strong></span></p>
<p>E se eu continuasse naquele esquema, qual seria o passo seguinte? Declarar na <em>timeline </em>que &#8220;amo meus amigos e eles são tudo para mim&#8221; só para reafirmar que sou querida por geral? <span style="color: #800000;"><strong>Não se declara o óbvio. Descobri a duras penas que o excesso de exposição é uma tentativa de afirmar o que muitas vezes você não sente.</strong></span></p>
<p>E tudo que eu queria era <em>sentir </em>em vez de apenas <em>dizer que sentia</em>.</p>
<p>O sociólogo americano Robert Weiss classificou dois tipos de solidão: a emocional e a social. A primeira é moldada pelo vazio e inquietação causados pela ausência de relacionamentos         	    profundos. Já a segunda traz o sentimento de tédio e marginalidade         	    causado pela falta de amizades ou de encaixe em um grupo. <span style="color: #800000;"><strong>Ao atender aos chamados genéricos do <em>Twitter</em> eu certamente sanava a solidão social, mas estava chafurdando em solidão emocional.</strong></span> Estava sempre rodeada por muitas pessoas, mas podia contar com nenhuma para uma relação próxima. E, sinceramente, não são estes contatos que me interessam. Eu gosto de me envolver. Gosto de estar junto ao outros nos momentos alegres e tristes. Meus laços não são frágeis a ponto de serem cortados por um botão chamado <em>block</em>.</p>
<p>Revisar esse relacionamento com o mundo virtual tem sido muito importante, pois ficou bem claro que ao menos para mim não estava funcionando mais. E de repente descubro que, quanto mais tempo eu ficava conectada, menos eu me preenchia. A janelinha do MSN piscava horrores, mas a janela da vida expunha um mundo frágil e esquisito. E aí não me vi capaz de ficar bem naquela dimensão onde não é preciso dormir em lençóis limpos quando se pode comprar o celular mais avançado &#8211; que por sua vez permite que você fale no <em>Twitter </em>que está em mais uma festa &#8220;superdivertida&#8221; ou coloque no MSN que &#8220;a viagem para a praia foi maravilhosa!!!!!&#8221;</p>
<p>É lógico que a internet me proporciona muitas coisas boas e, de certa forma, também ajuda a manter em ordem algumas amizades reais (estreitando o contato com aquela amiga de infância que mora em outra cidade, por exemplo). Também já namorei por longos anos uma pessoa cujo primeiro contato se deu no tecla-tecla. Entretanto, de uns tempos para cá, vi que as redes sociais estavam trazendo mais prejuízos do que lucros. A inserção demasiada no mundo virtual dá origem a uma relação de risco, que pode ser destrutiva quando não controlada adequadamente. Para você ver: precisei passar quase dez anos &#8220;virtuais&#8221; ativos para notar que estava vivenciando algo menos saudável do que pretendia. (Vou continuar fazendo uso da rede, claro, mas de forma bem mais ponderada.)</p>
<p>Sei que esse processo de redescoberta do mundo pré-relações virtuais ainda será gradual &#8211; e não é mole escapar da tecnologia, até mesmo porque dependo totalmente dela para trabalhar. Mas creio que, pelo menos no que diz respeito a dar fim às relações sociais rasas, estou começando bem. Deixei de ser sedentária e iniciei uma rotina de exercícios. Passei a frequentar lugares que têm mais a ver comigo. E no último sábado fiquei o dia todo em um churrasco para o qual fui convidada de forma bem específica (ou seja: nada de redes sociais envolvidas no convite). Antes de sair não senti vontade alguma de contar que iria para o evento. Enquanto estive lá, larguei o celular na bolsa, dentro de um quarto &#8211; me desliguei tanto que não vi nem mesmo as ligações da minha mãe. E ao voltar para casa, quase meia-noite, olhei para o computador e&#8230; Me lembrei de tudo de bom que acontecera durante o dia, sorri e passei longe da máquina. Fui dormir. E sem a menor vontade de declarar no <em>Twitter </em>os detalhes que tornaram meu dia bom.</p>
<p>Quando reconectei na manhã seguinte, publiquei <em>links</em>, reportagens&#8230; Nenhuma revelação sobre os lugares onde estive, com quem estive, o que bebi, o que comi, o que vi. Sabe que foi um alívio renovar o modelo de postagem? E foi um alívio também perceber que, por conta desse distanciamento do PC, a semana foi socialmente &#8211; e emocionalmente &#8211; mais agitada do que todas dos últimos quatro ou cinco meses.</p>
<p>Sei que é irônico eu estar usando a internet para falar exatamente sobre minhas ressalvas com ela, mas talvez este texto simbolize o papel que, <span style="text-decoration: underline;">em essência</span>, ela deveria ter exercido em minha vida desde sempre: um veículo de comunicação para divulgar ideias. E só.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>*Update:</strong></span></p>
<p><strong>A matéria abaixo só me fez ter certeza de que os exageros na vida online não são nada adequados. Eu não teria cabeça para sequer ligar um computador diante de tais circunstâncias:</strong></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2046" title="twitter" src="http://sextosexo.com/wp-content/uploads/twitter.JPG" alt="twitter" width="858" height="693" /></p>
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		<title>Compromisso x prisão</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 17:12:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Toda semana recebo pelo menos uns três currículos. Às vezes vêm de conhecidos. E às vezes eu mesma peço a amigos que estão à procura de emprego que enviem os seus, assim posso tentar dar uma força.
Ultimamente tenho estado alerta em relação a um fato muito corriqueiro que estampa todos os documentos: a maioria das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda semana recebo pelo menos uns três currículos. Às vezes vêm de conhecidos. E às vezes eu mesma peço a amigos que estão à procura de emprego que enviem os seus, assim posso tentar dar uma força.</p>
<p>Ultimamente tenho estado alerta em relação a um fato muito corriqueiro que estampa todos os documentos: <span style="color: #800000;"><strong>a maioria das pessoas não consegue parar muito tempo na mesma empresa</strong></span>. Tudo bem&#8230; Há casos e casos. <span style="text-decoration: underline;">Mas fica bem óbvio quando você saiu para evoluir ou a empresa não foi legal, e quando simplesmente ficou saltitando lá e cá</span>. Se o cara abandona quatro empregos seguidos em meses, fica complicado acreditar que o problema está mesmo nas companhias.</p>
<p>Se, para mim, que conheço o dono do currículo é estranho, imagine para o recrutador, que tem em mãos um papel com um monte de informações de alguém que nunca viu?!</p>
<p>Nem tiro a razão dos membros do RH. Isso porque, ao ter contato com essas pulguinhas de emprego (&#8221;sempre pulando de um lado para o outro&#8221;), percebo mesmo que são dignas de hesitação caso eu tenha de lhes entregar alguma responsabilidade. A falta de comprometimento não é só no sentido profissional: não conseguem manter relacionamentos afetivos, não persistem nas relações familiares, de amizade, vivem interrompendo os estudos&#8230; Como confiar em um indivíduo que não se compromete com nada? A impressão que fica é que ele sempre vai largar tudo pela metade tão logo &#8220;enjoar&#8221;. Só que no mercado de trabalho isso complica: contratações e demissões têm um preço, as empresas não podem brincar de fazer processo seletivo.</p>
<p>Sei que hoje o mundo está mais ativo e imediatista, então todo mundo se acostumou a respostas a jato em relação a tudo. É evidente que quem lida com a velocidade do e-<em>mail </em>não quer que o reconhecimento profissional chegue no mesmo ritmo do recebimento de uma carta via Correios. Mas ainda assim é preciso ter bom senso.</p>
<p>Ontem mesmo um amigo contou ter saído do emprego após apenas seis meses no cargo. Não me surpreendi. Ele já havia demonstrado desmotivação ao segundo mês. O grande problema é que ele faz isso desde sempre: começa no trabalho, empolga muito no início e logo desmorona. E, pelo que vejo, não dá pistas de que vai mudar o comportamento. Ele não consegue perceber que algumas evoluções só vêm depois de médio ou longo prazo. É mais ou menos como aprender um novo idioma: não espere fluência ao primeiro ano de curso porque é praticamente impossível.</p>
<p>O que me deixa muito preocupada é que conheço outros como ele que já estão em idade bastante avançada para ficar brincando de pula-pula profissional. Depois dos 30, por exemplo, a confiança para se contratar um sujeito que nunca conseguiu ficar um tempo fixo razoável (uns três anos, na minha humilde opinião) numa empresa é quase nula. Eu mesma confesso sinceramente que talvez não contratasse, nem se fosse um amigão do peito. Aliás, fico muito reticente para indicar amigos mais &#8220;velhinhos&#8221; que não se definiram até hoje.</p>
<p>Em geral as desculpas deles para cair fora são sempre coisas de momento: <em>meu chefe está sendo chato</em>, <em>a função não oferece novidades</em>, <em>não ganho bem</em> (tem gente que tem zero de experiência e quer ganhar 5 mil pratas logo de cara. Então tá&#8230;). Olha&#8230; Nem sempre morri de amores pelos trabalhos que tive. Nem sempre a remuneração foi proporcional às responsabilidades assumidas. Mas procurei encarar como fase. Tanto que <span style="color: #800000;"><strong>depois de engolir muitos sapinhos, cá estou eu podendo me dar ao luxo de cuspi-los de volta</strong></span>. Bastou saber esperar.</p>
<p>Só que ninguém quer esperar&#8230; Querem o megassalário de imediato, querem o cargo de chefia em um semestre, querem o alemão fluente depois da primeira aula, querem amar o emprego todos os dias &#8211; sem exceção, como se fosse possível eliminar 100% dos problemas.</p>
<p>Gostaria de poder ajudar esses amigos que perderam tanto tempo procurando o prazer imediato. Mas isso seria enfiar a mão na fogueira e esperar que não queimasse. Em algumas ocasiões até achei que um deles estava tomando jeito, mas depois de poucos meses vi que não. Uma pena.</p>
<p>Agora só espero mesmo que esse pessoal pare para pensar um pouquinho sobre dedicação, sobre vestir a camisa, sobre assumir responsabilidades (porque se você se dispõe a trabalhar em algum lugar, presume-se estar aberto a arcar com o &#8220;peso&#8221; daquela rotina). Comprometer-se não é se enfiar numa prisão. Tomara mesmo que enxerguem isso.</p>
<p>Eu ainda gostaria de dar um voto de confiança a todos eles, porém, se daqui a cinco anos nenhum permanecer ao menos uns 18 meses num cargo, vai ficar muito complicado acreditar em evolução. E se eu, que estou tão perto e acompanhando a rotina deles, não estarei disposta a ajudar, quem estará?</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Não adianta ter talento se não houver maturidade para saber que tudo tem um prazo para acontecer.</strong></span> E toda banda larga do mundo será inútil, pois infelizmente ainda não é possível fazer o <em>donwload </em>de uma pitada de paciência.</p>
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		<title>Brigando (pelos motivos errados)</title>
		<link>http://sextosexo.com/brigando-pelos-motivos-errados/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 22:34:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem no metrô acompanhei uma longa conversa &#8211; contra minha vontade, faço questão de dizer. Havia uma mulher sentada ao meu lado falando muito alto ao celular. Aparentemente, estava brigando com o ex-marido. Em meio a todas as ofensas que só uma mulher de coração partido é capaz de desprender, falou-se muito em divisão de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem no metrô acompanhei uma longa conversa &#8211; contra minha vontade, faço questão de dizer. Havia uma mulher sentada ao meu lado falando muito alto ao celular. Aparentemente, estava brigando com o ex-marido. Em meio a todas as ofensas que só uma mulher de coração partido é capaz de desprender, falou-se muito em divisão de bens, aumento de pensão e afins.</p>
<p>Como fiquei dentro do vagão praticamente da primeira estação à final, diria que deu para saber muito da vida da criatura. Não vou entrar em detalhes sobre a grosseria que é berrar ao celular dentro de um veículo de transporte público; vou focar no desgaste que a situação parecia trazer à mulher. Era possivel perceber que o divórcio estava em caráter mais do que litigioso e que ela talvez tenha passado o(s) último(s) ano(s) em guerra. Tinha aspecto e voz cansados, uma sombra de abatimento nos olhos e a cara era de quem não relaxa desde os tempos de vovó virgem.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fiquei imaginando o que aconteceria caso ela desprendesse a mesma energia exposta naquela rixa em algo mais produtivo&#8230;</strong></span> Ela poderia soltar toda a raiva na academia, esmurrando um saco de areia em aulas de boxe. Poderia usar todo o conhecimento jurídico pesquisando sobre como abrir um empreendimento comercial. Poderia usar a mesma gana que aplica no pedido de aumento de pensão para ganhar o próprio dinheiro. Mas é claro que ela não deve ter pensado nisso. Até mesmo porque há ali toda a mágoa causada por um fim de relacionamento e, para algumas mulheres, não basta apenas pedir (ou conceder) o divórcio: é preciso também infernizar e arruinar o antigo cônjuge.</p>
<p>Confesso que senti alguma pena. Aposto que ela deve ter perdido noites e noites pensando no sujeito, elucubrando diferentes formas de incomodá-lo e de tirar algum proveito material da situação toda. Só que a dita cuja não deve nem notar tal esforço. Decerto é um comportamento que já ficou embutido nos hábitos.</p>
<p>Pois é&#8230; Quantas vezes, sem perceber, não aplicamos energia no lugar errado? Algumas pessoas perdem tanto tempo brigando que, se usassem a mesma força em benefício próprio, poderiam conseguir grandes feitos. Concordo que em algumas situações é necessário lutar pelos direitos, sim, mas são raros os casos em que as pessoas deixam as emoções morrerem e analisam racionalmente o risco e o benefício de se meter em uma batalha. Há uma distância enorme entre argumentação sensata e peleja.</p>
<p>Aliás, não é só nos divórcios que se desperdiça energia&#8230; Discussões entre amigos, brigas no trânsito, desentendimentos entre irmãos, picuinhas com a colega de trabalho&#8230; Custo a acreditar que tenha quem prefira ficar falando mal da ex para os amigos ou maquinando planos de vingança em vez de fazer algo bacana (e nem precisa ser pelo outro; pode ser por si).</p>
<p>Caso nossa amiga lá do bate-boca via celular fizesse isso, por exemplo, provavelmente agora estaria gostosa (de tanto malhar socando o saco de areia), independente (por estar tocando o próprio empreendimento) e com os bolsos cheios (porque um negócio bem administrado sempre rende grana). E de quebra ainda esqueceria o ex que tanto a machucou (o tom ríspido da conversa deixava isso bem claro), afinal uma mente ocupada é uma mente sadia.</p>
<p>Não vou dizer que nunca me enfiei em combates, mas um dia descobri que a maioria deles não valeu a pena. E o que me fez chegar a essa conclusão não foi uma briga da qual saí machucada; <span style="color: #800000;"><strong>apenas me dei conta de que todo tempo livre poderia ser usado para cuidar de mim</strong></span>. É tanta correria, tanta coisa para administrar&#8230; Para quê perder tempo exatamente com alguém/alguma coisa que só causa estresse?</p>
<p>Não sei bem como terminou a noite da nervosinha do metrô, pois (felizmente) tive de descer. Mas uma coisa é certa: apesar de estar me lembrando da história dela agora, não tive a mínima vontade de conhecê-la a fundo.</p>
<p>É&#8230; O comportamento &#8220;brigo por qualquer coisa&#8221; ainda traz essa desvantagem: você fica bem menos interessante.</p>
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		<title>Linda, independente, bem-sucedida e solteira? Eis o motivo:</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 18:56:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[- Sou bonita, inteligente, bem-sucedida, independente, simpática. Não sei por que não consigo arranjar um namorado.
Confesso que sinto muito medo quando ouço a frase acima. Normalmente ela vem de uma mulher carente que sabe muito bem o porquê de estar sozinha. Ou muito exigente. Já conheci uma criatura dessas &#8220;independentes, lindas, bem-sucedidas&#8221; que se recusou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800000;"><strong>- Sou bonita, inteligente, bem-sucedida, independente, simpática. Não sei por que não consigo arranjar um namorado.</strong></span></p>
<p>Confesso que sinto muito medo quando ouço a frase acima. Normalmente ela vem de uma mulher carente que sabe muito bem o porquê de estar sozinha. Ou muito exigente. Já conheci uma criatura dessas &#8220;independentes, lindas, bem-sucedidas&#8221; que se recusou a sair com um sujeito só porque não gostou do nome dele. <em>Imagina se vou sair com um cara chamado Welson! Como é que vou apresentar para a família?!</em></p>
<p>Particulamente, <strong><span style="color: #800000;">não acredito nessa história da mulher forte e independente que assusta os homens</span></strong>. Acho que, se o sujeito não quis relacionamento, não estava a fim, só isso. Há exceções, claro, mas se o indivíduo não é um quarentão vagabundo que mora com a mãe e três gatos, dificilmente vai se incomodar em ter uma mulher bonitona e com bom emprego ao lado (pensando bem, o tal quarentão também pode achar bom, já que vai ter um segundo lar para montar o acampamento).</p>
<p>O fato é que tem muita mulher reclamando quando nem sempre tem tanta moral para fazê-lo. As mais exigentes, por exemplo, normalmente não têm a oferecer o mesmo que querem que o sujeito dê. Na cabecinha delas, elas mesmas são perfeitas, mas se você parar para olhar de perto&#8230; Carentes, implicantes, preconceituosas, controladoras. Parecem vindas diretamente do seriado <em>Sex and the City</em>.</p>
<p>Aliás, eu gosto do seriado. Tenho todas as temporadas, assisti ao filme (esse foi ruinzinho), mas nem de longe consigo me espelhar naquele modelo de comportamento. Gosto do programa como entretenimento, ficção e acho que tem boas tiradas no que diz respeito a assuntos sexuais; porém, está bem claro que os roteiristas criaram personagens afoitas pelo modelo do pretenso &#8220;sonho feminino&#8221;: encontrar um homem para chamar de seu e viver <em>feliz para sempre</em> (a parte de transar com todo mundo, na verdade, era só parte do processo seletivo para encontrar &#8220;o&#8221; cara certo). Aliás, a vida não é seriado. Mas tem gente que pensa que dá para copiar. Desculpe por acabar com a fantasia de alguns, mas o cinismo de <em>House</em>, as investigações rápidas de <em>C.S.I</em> e a vida de trintões desregrados de <em>Friends </em>só funcionam na ficção.</p>
<p>Mas o problema está só nas mulheres? Não, não está. Mas nem vou ficar aqui enumerando todas as divergências entre universo masculino e feminino. Entretanto, dá para dizer com certeza que a maioria das pessoas não sabe o que quer quando a questão é encontrar um cobertor de orelha. Generalizam muito o que procuram no objeto de afeto, mas não necessariamente estão atrás daquilo que citaram. <span style="color: #800000;"><strong>Sabe o velho discurso &#8220;quero uma pessoa legal, companheira, sincera, com senso de humor, bonita e inteligente&#8221;? Ora, bolas! Todo mundo quer isso!</strong></span> Mas, no fim, é um cardápio disperso demais, que pouco diz sobre as vontades reais de alguém.</p>
<p>Já vi muitas pessoas dispensarem parceiros bacanas porque não sabiam o que desejavam nem mesmo para si. (Fato: um perdido nunca vai ser capaz de enxergar um rumo no outro.)</p>
<p>Já vi muita gente ficar com a pessoa errada porque simplesmente não queria ficar só. (A velha enganação de querer fingir que a pessoa tem qualidades que de fato são inexistentes.)</p>
<p>Já vi muitos reclamarem que estavam atraindo &#8220;malucos&#8221;, sem notar que, na realidade, estavam atraindo o reflexo do próprio comportamento. (Coisas boas atraem coisas boas. Coisas ruins atraem coisas ruins. Questão de simetria.)</p>
<p>Já vi muita gente insistir em alguém que não tinha nada a ver consigo só porque houve carinho ou insistência durante o processo de conquista.</p>
<p>Eu mesma já cometi erros como os citados cima.</p>
<p>É claro que se relacionar nem sempre é simples. São duas pessoas &#8211; ou mais, vá saber&#8230; &#8211; com interesses diferentes, criações diferentes, referências diferentes.</p>
<p>De fato, o grande segredo é descobrir o que se quer (e não daquele jeito superficial), estar mesmo disposto a interagir e ceder e, principalmente, saber olhar para si. (Além de achar quem tolere seus defeitos, claro!)</p>
<p>Todo mundo, no fundo, sabe o porquê de estar sozinho (quando não se quer estar).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Você pode ser uma mulher <em>independente, linda, inteligente, legal, simpática e bem-sucedid</em>a. Mas pense bem: será que os outros te veem do mesmo jeito?</strong></span></p>
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		<title>Minha casa, sua casa&#8230;?</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 22:44:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda  Lizardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para mim, nossa casa é um reflexo do que somos. Uma casa zoneada reflete uma vida zoneada. Uma casa sempre suja mostra que o dono não deve ser fã de higiene em nenhum quesito (urgh!). Os livros e DVDs na estante, os quadros, o modelo do sofá, os enfeites, os instrumentos musicais&#8230; O lar é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #800000;"><strong>Para mim, nossa casa é um reflexo do que somos.</strong></span> Uma casa zoneada reflete uma vida zoneada. Uma casa sempre suja mostra que o dono não deve ser fã de higiene em nenhum quesito (urgh!). Os livros e DVDs na estante, os quadros, o modelo do sofá, os enfeites, os instrumentos musicais&#8230; O lar é a personalidade implícita do dono.</p>
<p>Por esta razão, prezo muito meu espaço. E também o espaço alheio.</p>
<p>Há alguns anos, recebi um visitante que me fez pensar muito na relação das pessoas com o ambiente onde vivem &#8211; seja próprio ou de outrém. Conheci o dito cujo durante uma viagem para fazer um curso, ficamos amigos e ele acabou resolvendo me fazer uma visita. Eu morava em Ouro Preto (MG), cidade histórica, portanto era comum que amizades provindas de outros estados quisessem conhecê-la.</p>
<p>A estadia do sujeito não foi longa &#8211; apenas um fim de semana &#8211; mas foi o suficiente para me causar calafrios. Quando ele finalmente foi embora, meu lar parecia ter passado por uma guerra. Veja bem: meus visitantes jamais devem arrumar as camas ou mesmo lavar a louça onde comem. Não deixo mesmo! Mas aquele ali abusou da minha boa vontade&#8230; Conseguiu sujar absolutamente todas as vasilhas da cozinha (não me pergunte como). Largou o banheiro em estado lastimável, o quarto de hóspedes revirado, a sala&#8230; Bem. Acho que só meu quarto, único lugar ao qual ele não teve acesso, escapou. Foi a primeira vez que vi uma visita extrapolar todos os limites.</p>
<p>No dia sofri, claro, pois provavelmente foi a faxina mais trabalhosa até então. Hoje acho graça&#8230; Só que tal acontecimento me levou a pensar em como algumas pessoas simplesmente perdem a noção quando estão na casa de terceiros.</p>
<p>Eu gosto de ficar à vontade quando visito amigos e parentes, mas sempre me policio, pois creio que não tenho o direito de interferir no espaço do outro, naquele meio que é o reflexo do que ele vive. E isso inclui a rotina também.</p>
<p>Tive um namorado que sempre reclamava por eu ir pouco à casa dele. Tínhamos bastante intimidade &#8211; a relação durou cinco anos &#8211; mas não justificava eu me comportar como se &#8220;morasse&#8221; lá. A sogra achava até que essa ausência era indício de que eu não gostava muito dela. Mas não era nada disso&#8230; Eu simplesmente não me considerava no direito de ficar indo todos os fins de semana numa casa com &#8220;casal, dois filhos e gato&#8221;. Eles tinham a rotina deles e eu considerava de bom tom respeitá-la. Dormi lá pouquíssimas vezes &#8211; normalmente em ocasiões especiais, quando houve alguma comemoração, ou quando o parceirão se ofereceu para me levar ao aeroporto logo cedo (era mais perto da casa dele).</p>
<p>O engraçado é que mesmo tendo essa noção no que diz respeito ao ambiente do outro, sempre fui meio bobona em relação à minha casa. Na ânsia de fazer o hóspede sentir-se bem, muitas vezes anulei minhas vontades. <span style="color: #800000;"><strong>Não foi incomum tentar começar um relacionamento novo e deixar o pretendente fazer o que quisesse aqui.</strong></span> Isso incluía ter minha rotina completamente modificada. Por exemplo: eu acordo muito cedo também nos fins de semana, pois são os dias que tenho livres para cuidar da casa, fazer compras, limpeza e afins. Ou mesmo dar uma volta no calçadão para curtir o sol da manhã. Às vezes lá estava eu saindo com um indivíduo que ia dormir às seis da matina. Muito bem. O resultado? A criatura que vos fala ficava moída na segunda-feira &#8211; e o bonitão sem emprego fixo podia se dar ao luxo de dormir até três da tarde. Engraçado que isso não aconteceu só com um, para vocês verem meu nível de tolerância&#8230;</p>
<p>Ainda assim, nunca reclamei dessas coisas com eles, de fato. É que, para mim, abrir meu espaço é o mesmo que dizer <em>Olha, eu confio em você. Se você está dormindo aqui ou passando muito tempo no meu lar, é porque quero que conheça mais da minha rotina para evoluirmos</em>. Só que, para eles, o lar não necessariamente tinha essa coisa sagrada, esse conceito de espaço muito particular que só tem suas portas abertas em casos muito específicos.</p>
<p>Por outro lado, talvez tenha sido bom descobrir essa porção  espaçosa dos indivíduos antes que a coisa evoluísse. <span style="color: #800000;"><strong>Não sei se conseguiria ter um compromisso com alguém que não sabe nem mesmo respeitar o habitat do outro. E se for para me relacionar, quero ser namorada, não mãe do sujeito!</strong></span></p>
<p>Mas devo frisar que essa regra do respeito vale para todos.</p>
<p>Quando encarei aquele hóspede bagunceiro lá de Ouro Preto, logo imaginei se, quando criança, ele ouviu aquelas velhas recomendações da mãe ao dormir na casa de um coleguinha: <em>Comporte-se! Não vá fazer bagunça na casa da tia, hein!?</em> É&#8230; Acho que não.</p>
<p>Tudo isso fez eu valorizar mais o meu espaço e também o alheio.</p>
<p>Procuro ser bem cuidadosa quando vou à casa de alguém. Lavo meu prato, deixo o banheiro sequinho após o banho, dobro os lençóis onde durmo e tento acordar e dormir nos horários da pessoa que me hospeda. Faço isso até na casa dos meus pais &#8211; e olha que ali é meu segundo lar!</p>
<p>E agora também estou aprendendo a ser mais carinhosa com o meu espaço. Nada de trazer pretensos namoradinhos que vão achar que isso aqui é pensão. Nada de ser tolerante demais com quem ultrapassa os limites do respeito.</p>
<p>Sou chata? Ah, sou! Mas o lema agora é o seguinte:<span style="color: #800000;"><strong> meu lar, meu castelo, meu reino</strong></span>. Talvez seja o único lugar do mundo que eu vá governar um dia, então, que ele seja regido pelo tino que me fará satisfeita. Mesmo porque, adivinhe quem vai ter de lavar a louça&#8230;?</p>
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