Minha casa, sua casa…?
Para mim, nossa casa é um reflexo do que somos. Uma casa zoneada reflete uma vida zoneada. Uma casa sempre suja mostra que o dono não deve ser fã de higiene em nenhum quesito (urgh!). Os livros e DVDs na estante, os quadros, o modelo do sofá, os enfeites, os instrumentos musicais… O lar é a personalidade implícita do dono.
Por esta razão, prezo muito meu espaço. E também o espaço alheio.
Há alguns anos, recebi um visitante que me fez pensar muito na relação das pessoas com o ambiente onde vivem – seja próprio ou de outrém. Conheci o dito cujo durante uma viagem para fazer um curso, ficamos amigos e ele acabou resolvendo me fazer uma visita. Eu morava em Ouro Preto (MG), cidade histórica, portanto era comum que amizades provindas de outros estados quisessem conhecê-la.
A estadia do sujeito não foi longa – apenas um fim de semana – mas foi o suficiente para me causar calafrios. Quando ele finalmente foi embora, meu lar parecia ter passado por uma guerra. Veja bem: meus visitantes jamais devem arrumar as camas ou mesmo lavar a louça onde comem. Não deixo mesmo! Mas aquele ali abusou da minha boa vontade… Conseguiu sujar absolutamente todas as vasilhas da cozinha (não me pergunte como). Largou o banheiro em estado lastimável, o quarto de hóspedes revirado, a sala… Bem. Acho que só meu quarto, único lugar ao qual ele não teve acesso, escapou. Foi a primeira vez que vi uma visita extrapolar todos os limites.
No dia sofri, claro, pois provavelmente foi a faxina mais trabalhosa até então. Hoje acho graça… Só que tal acontecimento me levou a pensar em como algumas pessoas simplesmente perdem a noção quando estão na casa de terceiros.
Eu gosto de ficar à vontade quando visito amigos e parentes, mas sempre me policio, pois creio que não tenho o direito de interferir no espaço do outro, naquele meio que é o reflexo do que ele vive. E isso inclui a rotina também.
Tive um namorado que sempre reclamava por eu ir pouco à casa dele. Tínhamos bastante intimidade – a relação durou cinco anos – mas não justificava eu me comportar como se “morasse” lá. A sogra achava até que essa ausência era indício de que eu não gostava muito dela. Mas não era nada disso… Eu simplesmente não me considerava no direito de ficar indo todos os fins de semana numa casa com “casal, dois filhos e gato”. Eles tinham a rotina deles e eu considerava de bom tom respeitá-la. Dormi lá pouquíssimas vezes – normalmente em ocasiões especiais, quando houve alguma comemoração, ou quando o parceirão se ofereceu para me levar ao aeroporto logo cedo (era mais perto da casa dele).
O engraçado é que mesmo tendo essa noção no que diz respeito ao ambiente do outro, sempre fui meio bobona em relação à minha casa. Na ânsia de fazer o hóspede sentir-se bem, muitas vezes anulei minhas vontades. Não foi incomum tentar começar um relacionamento novo e deixar o pretendente fazer o que quisesse aqui. Isso incluía ter minha rotina completamente modificada. Por exemplo: eu acordo muito cedo também nos fins de semana, pois são os dias que tenho livres para cuidar da casa, fazer compras, limpeza e afins. Ou mesmo dar uma volta no calçadão para curtir o sol da manhã. Às vezes lá estava eu saindo com um indivíduo que ia dormir às seis da matina. Muito bem. O resultado? A criatura que vos fala ficava moída na segunda-feira – e o bonitão sem emprego fixo podia se dar ao luxo de dormir até três da tarde. Engraçado que isso não aconteceu só com um, para vocês verem meu nível de tolerância…
Ainda assim, nunca reclamei dessas coisas com eles, de fato. É que, para mim, abrir meu espaço é o mesmo que dizer Olha, eu confio em você. Se você está dormindo aqui ou passando muito tempo no meu lar, é porque quero que conheça mais da minha rotina para evoluirmos. Só que, para eles, o lar não necessariamente tinha essa coisa sagrada, esse conceito de espaço muito particular que só tem suas portas abertas em casos muito específicos.
Por outro lado, talvez tenha sido bom descobrir essa porção espaçosa dos indivíduos antes que a coisa evoluísse. Não sei se conseguiria ter um compromisso com alguém que não sabe nem mesmo respeitar o habitat do outro. E se for para me relacionar, quero ser namorada, não mãe do sujeito!
Mas devo frisar que essa regra do respeito vale para todos.
Quando encarei aquele hóspede bagunceiro lá de Ouro Preto, logo imaginei se, quando criança, ele ouviu aquelas velhas recomendações da mãe ao dormir na casa de um coleguinha: Comporte-se! Não vá fazer bagunça na casa da tia, hein!? É… Acho que não.
Tudo isso fez eu valorizar mais o meu espaço e também o alheio.
Procuro ser bem cuidadosa quando vou à casa de alguém. Lavo meu prato, deixo o banheiro sequinho após o banho, dobro os lençóis onde durmo e tento acordar e dormir nos horários da pessoa que me hospeda. Faço isso até na casa dos meus pais – e olha que ali é meu segundo lar!
E agora também estou aprendendo a ser mais carinhosa com o meu espaço. Nada de trazer pretensos namoradinhos que vão achar que isso aqui é pensão. Nada de ser tolerante demais com quem ultrapassa os limites do respeito.
Sou chata? Ah, sou! Mas o lema agora é o seguinte: meu lar, meu castelo, meu reino. Talvez seja o único lugar do mundo que eu vá governar um dia, então, que ele seja regido pelo tino que me fará satisfeita. Mesmo porque, adivinhe quem vai ter de lavar a louça…?


Ah, Hilton
Sem dúvida parte da culpa foi minha (tanto que o texto tem esse trecho: “O engraçado é que mesmo tendo essa noção no que diz respeito ao ambiente do outro, sempre fui meio bobona em relação à minha casa. Na ânsia de fazer o hóspede sentir-se bem, muitas vezes anulei minhas vontades.”)
Agora estou aprendendo a não abrir tanto a guarda. É que muitas vezes não quero “podar” o visitante, fica chato não deixá-lo à vontade, né?
Mas estou praticando para colocar limites, pois tem gente que abusa MESMO! Sabe como é: sempre tem quem queira o braço inteiro depois de você oferecer o dedinho… He, he
Abraço!
kkkkkkkkkk.Desculpe começar com uma gargalhada,mas,não é por falta de respeito ao seu texto; mas me fez lembrar de uma namorada, que eu tive,queria me agradar de todo o jeito e formas,que chegava a ser chato,e olha que eu era( e ainda sou ) bastante educado.
Não sei se foi o seu caso,mas ela fazia de tudo para que eu me sentisse em casa ,e aí as coisas foram acontecendo de tal forma, que, quando me dei por mim,eu estava um tremendo de um folgado,me achando o marido,macho,comedor,chefe,patrão..dono da casa da mulher…enfim
penso que foi por culpa dela que isso aconteceu,e me faz questionar se o mesmo não ocorreu com vc..que esse texto fique somente como observação,não como uma critica ao seu comportamento passado.bjos sucesso