O presente errado

Posted on novembro 28 2009 by Fernanda Lizardo

Acho que todo mundo já ganhou um presente do qual não gostou.

Por sorte, isso aconteceu comigo pouquíssimas vezes, mesmo porque é muito difícil não me agradar. E ainda quando ocorreu, não “repassei” o presente em outra ocasião (acho o cúmulo da grosseria, imperdoável até). Simplesmente tentei usar. Ou então guardei.

Quando alguém errou na hora de me dar qualquer coisa, foi fácil de entender. Ou a pessoa me conhecia muito pouco. Ou não era observadora. Certa vez ganhei pulseiras em um amigo oculto. Eram lindas. E eu adoro bijuterias. Só que tenho os pulsos finos demais, então os modelos padronizados normalmente não me servem. Tive de deixar as ditas cujas de lado por pura falta de anatomia para usá-las.

Também houve casos em que a pessoa não me via há muito tempo. Sabe aquela tia que se esqueceu de que você não tem 12 anos mais porque simplesmente não te encontra há mais de dez anos? Totalmente compreensível.

Ganhar um presente errado pode ser engraçado, mas também pode ser absolutamente estranho quando vem de alguém que (ao menos você supõe) te conhece muito bem. O primeiro pensamento sempre é: Mas como assim ela me deu isso? Ela está cansada de saber que eu não gosto disso! Já aconteceu comigo, mas aí logo descobri que estava sendo “vítima” de um indivíduo muito indeciso e que não tinha segurança para escolher sozinho o que ia me dar. Invariavelmente, sempre levava a mãe a tiracolo para ajudar na escolha. E como ela não me conhecia bem, às vezes errava. Depois que me dei conta desse fator, pedi apenas que ele fizessem um esforço para decidir sozinho. Funcionou bem. Quando o fazia por conta própria, ele acertava sempre.

No ato extremo da pieguice, vou dizer que não me ligo no valor do que ganho. O presente errado para mim não é aquele que está abaixo das minhas expectativas, mas o que não tem a ver com minha personalidade. Mal comparando, seria  como receber uma caixa de doces sendo diabético. Por isso acho até antipático quando alguém reclama que ganhou meias ou gravatas no natal. Ei! E se eu estiver precisando de meias? Sou do tipo que pede até eletrodoméstico e panela quando a mãe pergunta qual vai ser o mimo de alguma data comemorativa. (Isso porque dizem que mulher não gosta de ganhar coisa “de casa”. Eu adoro!)

Mas o que me conquista mesmo é quando uma pessoa estimada liga o radar e fica de olho nas minhas atitudes do dia a dia e tira daí a ideia do presente. Pode ser a coisa mais boba – até um bilhetinho – mas ganha mil pontos comigo. Creio que, para qualquer um, o presente certo é aquele que mexe no emocional, que traz dentro do pacote a frase implícita Olha, eu prestei atenção ao que você disse ou a algum hábito seu. Aí está.

Não à toa, a palavra presente também significa dádiva. E não há dádiva melhor do que cativar e marcar o outro a partir de uma escolha bacana.

Ah, sim: não me importo de ganhar meias.

One Response to “O presente errado”

  1. Matheus disse:

    Apoiadíssimo Fernanda!
    Receber presente às vezes é uma arte mais complicada do que dar. Acho horrível presentear alguém e a pessoa deixar transparecer que não gostou. Poxa, presente é presente. O que vale é a intenção e o carinho que a pessoa quer passar através daquele objeto. Acho que não custa nada dar um sorriso e uma fingidinha básica de que você amou aquilo! Mas só não me venham com vale presente, aí sim vai ser uma demonstração de que aquilo é só uma formalidade e que a pessoa não teve nem disposição de pensar em algo que pudesse agradar.

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