Pequenos gestos de carinho (a quem os merece)
Sempre que há planos de passar o natal em família na minha casa, meus pais dão a seguinte ordem antes de vir:
- Não compre nada. Deixe tudo por nossa conta.
Então, quando chegam, vão ao supermercado e abarrotam a geladeira com todas aquelas delícias típicas de fim de ano e todos os supérfluos imagináveis. É a forma que encontram de fazer um agrado.
Desta vez vai ser diferente. Resolvi “desobedecer” e eu mesma fiz as compras, tomando o cuidado de escolher itens que pudessem agradar a todos. Me dei conta de que já fiz tanta coisa por pessoas menos importantes. Se já pude sair às altas horas da noite para comprar um pote de Chicabon para algumas criaturas que nem mereceram esse carinho, por que não fazer o mesmo pelo meu pai (que com certeza merece)?
Às vezes a gente tem essa mania… Valoriza tanto os que vêm de fora, que acaba se esquecendo de quem realmente importa. E de repente lá estamos nós comprando um presentão para a melhor amiga, indo fazer um sanduíche para o namorado às quatro da manhã. E para a família… Nada?
Está certo que muita gente tem relações familiares péssimas. Eu mesma conheço raras pessoas que realmente se dão bem com pai e mãe. Felizmente, posso dizer que faço parte desse time. E tenho mais liberdade com ambos do que com qualquer amigo “de fora”. Eles, sim, são companheiros. Posso compartilhar tudo (mesmo! Até aquela confissão sobre o amasso dado no sueco lindo que conheci na festa X). E quando estiver em momento mais frágil, certamente nunca ouvirei um “Se vire aí sozinha, filha, que vou ali viver minha vida”. E é exatamente por essa razão que agora meu pai vai encontrar a cerveja favorita dele (gelada!) e minha mãe vai adentrar a cozinha e achar todas as frutas que ela adora (e que nem sempre consegue encontrar na cidade onde mora).
Não é só pela questão material do negócio, mas pelo carinho dos pequenos gestos. Na última vez em que voltei de um passeio à casa da minha irmã, por exemplo, assim que abri a mala encontrei uma bisnaga de salaminho escondidinha em um embrulho (quem convive comigo sabe que esta é minha “iguaria” favorita). A diferença foi exatamente o gesto. Porque, afinal, eu posso comprar salaminho em qualquer lugar. Mas o fator surpresa e o cuidado em colocar em meio às minhas coisas algo de que gosto muito é que é o ponto alto do negócio. E eu sou fã disso. Guardo bilhetinhos antigos, papeis celofane de bombom, canhoto de ingresso de cinema… Objetos que representam o carinho diário dos outros.
Sempre que alguém que conheço perde um ente querido, normalmente diz se arrepender de não ter dito tantos eu te amo quanto poderia àquele que se foi. Eu não. Eu só penso que poderia ter feito mais dos pequenos gestos – mesmo que tenha feito mil deles, nunca seriam o suficiente. Esse é meu modo de dizer que gosto, adoro, amo.
Este natal vai ser mais do que especial porque pela primeira vez vou poder retribuir aquilo que as pessoas mais importantes na minha vida sempre fizeram para mim. E não me interessa se isso vai estar personificado em uma bobagem como um pacote de batatas chips na despensa; essa atitude aparentemente boba é o pedaço mais palpável da lição que ficou neste ano que está por terminar: ter afeto de sobra não é ruim e nem sinônimo de grude. Basta saber distribui-lo àqueles merecedores que estão realmente abertos a recebê-lo.


Posso dizer que a cada novo post, percebo o quanto as palavras certas podem se encontrar, para mostrar que meus pensamentos não são órfãos, há mais pessoas que pensam como eu!!!
Seguir vc no twitter, foi muito legal, não só pelo conteúdo de suas twittadas, mas também por me mostrar o conteúdo de seu blog, Parabéns!!!!
Sua escrita é muito fina, direta e irretocável….
Posso dizer que a cada novo post, percebo o quanto as palavras certas podem se encontrar, para mostrar que meus pensamentos não são órfãos, há mais pessoas que pensam como eu!!!
Seguir vc no twitter, foi muito legal, não só pelo conteúdo de suas twittadas, mas também por me mostrar o conteúdo de seu blog, Parabéns!!!!
Sua escrita é muito fina, direta e irretocável….
Pois também vejo nos pequenos gestos os grandes carinhos. Acho que muita gente, mesmo quando tem boa relação com a família, não se preocupa em cativa-los porque pensa: “ah, são minha família, vão me amar sempre, de que forma for, só tenho que me preocupar com quem preciso conquistar e manter…” é assustadora essa imagem, mas mesmo inconscientemente é o que a maioria das pessoas pensa. Então ficam se desdobrando por aqueles que muitas vezes,como você diz, nem merecem, e deixam de cuidar e fazer delicadas surpresas a quem merece de verdade, e quando percebem que fizeram isso a vida toda, muitas vezes é tarde demais. Linda sua reflexão. Abraços.
Fernanda, teu texto veio em óttima hora!
Perfeito e direto. Realmente grandes gestos de carinho podem ser encontrados em pequenos gestos, basta aprender a olhar .
Minha próxima fase é começar a fazê-los!
Perfeito!
Isso caiu como uma luva pra mim, agora que estou morando há quase 8 meses no exterior.
A realidade é que nós NUNCA vamos valorizar tanto os nossos pais quanto eles realmente merecem. É como minha mãe fala: você só vai entender quando for pai.
Beijos!
Posso dizer que a cada novo post, percebo o quanto as palavras certas podem se encontrar, para mostrar que meus pensamentos não são órfãos, há mais pessoas que pensam como eu!!!
Seguir vc no twitter, foi muito legal, não pelo conteúdo de suas twittadas, mas por me mostrar o conteúdo de seu blog, Parabéns!!!!
Sua escrita é muito fina, singela, direta e irretocável….
Olha, nem tenho muita coisa a acrescentar… A gente entende o quanto deve valorizar as pessoas que a gente ama quando a gente não pode mais ter por perto… Que bom que você está fazendo isso por eles! Um Natal cheio de paz e amor pra vcs!