Relacionamento sério. Quem curte?

Posted on dezembro 15 2009 by Fernanda Lizardo

Costumo dizer que se relacionar é muito fácil, as pessoas é que complicam.

Parece ironia, já que o que mais vejo são pessoas reclamando que ninguém quer namorar, mas não é bem assim. O grande problema é que tem muita gente que insiste quando o jogo já é dado como perdido.

Meu relacionamento mais longo durou cinco anos. Foi legal e acabou simplesmente porque saímos de sintonia. Apesar de ele ser bem mais velho, não tinha grandes aspirações, era muito pacato, ainda morava com a família. O total oposto de mim. Eu já morava sozinha, era mais impulsiva com tudo, tinha ambições enormes (ainda tenho, na verdade). Em algum momento essa diferença causou um choque. Terminamos numa boa, ainda mantivemos convivência constante durante um ano após o fim – e só nos afastamos porque isso atrapalhava a possibilidade de ambos entrarem em novos relacionamentos.

É essa mesma falta de timing [que causou o fim de uma relação já existente] que muitas vezes não permite que um casal inicie algo mais “sério”.

Hoje, por exemplo, o sujeito não precisa fazer grandes esforços para dormir com alguém (lembre-se de que na década de 20 só casando, indo a prostíbulos ou sendo muito discreto com algumas mocinhas ditas “de família”). E nem precisa pegar a mulher na boate. Pode ser a amiga. Toda turminha tem o que minha mãe chama carinhosamente de mulher-corrimão (”aquela em quem todo mundo passa a mão”). É a garota que reveza na cama dos amigos entre um fim de semana e outro, oferece um ombro amigo, às vezes paga um ingresso para o show e a conta do bar. Ou seja: basicamente faz o papel de namorada, mas sem assumir o compromisso. Nada contra. Se eu fosse um dos caras a ter este benefício, certamente também não iria querer relacionamento por fora. Quer coisa melhor do que o bônus sem ônus? Porém, como porção feminina do jogo, já não arrisco a me meter nessa. Dormir demais com a mesma pessoa ou conviver demais com quem durmo mexe com meu emocional. Não saberia dormir com três caras da mesma turma e fingir que nada aconteceu. Não por puritanismo, mas, sei lá… Eu só convivo demais com quem gosto mesmo. Imagina ficar saindo com o bonitão por fins de semanas intermináveis sem deixar o carinho aflorar? Não dá. Não tenho uma pedra batendo no peito. Além do mais, é tão gostoso ir descobrindo o outro, construir a intimidade. Pular de galho em galho (ou de cama em cama) não proporciona isso. Fora que é difícil olhar para o dito cujo sem voltar a recordar determinadas partes anatômicas dele (e dependendo do caso, é dureza segurar o riso….)

O lance de querer relação depende também da fase da vida em que se está. Sempre que me mudei para uma nova cidade, por exemplo, precisei de um tempo até querer ficar seriamente com alguém. Sabe como é: cidade nova, gente nova, uma nova rotina a se montar, trabalho novo, tudo novo… Existe um tempo necessário para explorar as descobertas até chegar à fase do sossego. É mais ou menos como o test-drive antes de comprar o carro.

Coloque aí nesse meio problemas com trabalho, distância (namorar em cidade grande tem dessas coisas), contraste entre situação sócio-econômica-cultural do casal… E as opções são tantas! Se a cada dia você pode conhecer uma pessoa diferente, tem de estar mesmo muito a fim para “estacionar” numa vaga fixa.

Mulheres normalmente não pesam isso. Eu mesma já entrei em relações previamente furadas. Às vezes sabia que o sujeito cedo ou tarde iria apresentar contrastes irreconciliáveis. Mas insistia. Vejo agora que não adianta. É bobagem quando ambos estão em fases diferentes.

Eu tenho tendência a querer sossegar em um relacionamento quando entro num âmbito tranquilo em outros campos da vida. Se estou com emprego estável, grana no bolso, casa bonitinha e montadinha, rotina feita e sem planos de mudança de cidade, nada mais natural do que desejar estabilidade na vida afetiva. Se isso é sinônimo de querer casar e arrumar dez filhinhos? De jeito nenhum. Namorar é bom. Aliás, é o compromisso que menos dá dor de cabeça. Se tiver de evoluir… O tempo diz. (Mas, particularmente, matrimônio e rebentos nem estão nos meus planos.)

Por fim, não creio nessa história de que muita gente não quer namorar. Concordo, sim, que há uns gatos pingados que não o querem porque são irresponsáveis por natureza, têm amigas-corrimão na turma (ou o famoso “pau amigo”) ou até são incapazes de se interessar taaanto assim por alguém a ponto de querer passar mais tempo ao lado dessa pessoa. Entretanto, há muita gente aberta a construir algo bacana… Basta saber enxergar o timing (ou admitir a falta dele).

Lógico que, quando a gente se apaixona, nem sempre é moleza notar que o outro não está a fim de compromisso. Mas o ser humano é assim mesmo: complica até uma coisa simples como um relacionamento.

5 Responses to “Relacionamento sério. Quem curte?”

  1. Eu curto. Curto. Bem curto.

  2. Olha, não acho que relacionamentos sérios sejam simples não… E olha que a minha tendência é levar a sério absolutamente todos os meus relacionamentos que se dividem em casamento, amizade, irmão, tio e colega.

    O mais fraco é o colega, naturalmente… Essa é outra resposta que merece post, mas na Galeria de Espelhos e não no Meme… Mas vou falar por alto aqui me aquecendo para lá ;-)

    O colega é aquela pessoa que faz parte do grupinho, mas não desenvolvemos empatia, seja por ela ser muito festeira e nós muito quietos, seja por ela ser de fazer jogos emocionais e nós preferirmos a transparência. No entanto são pessoas que estão ali no grupo que frequentamos.

    Digo que as levo a sério pq, se estão sofrendo faço tudo ao meu alcance para entendê-las e ajudar. Só me afasto mesmo se a pessoa se torna auto-destrutiva, ai não adianta, tudo ao redor dela murcha até que ela encontre alguém capaz de tocar no ponto certo e se essa pessoa não sou eu então me retiro sabendo que não farei bem nem a ela, nem a mim.

    Como sou um cara mais para sério, um pouco mais velho (já a caminho de meio século de existência) acabo sendo meio tio ou irmão mais velho para algumas pessoas. Acho que algumas vezes eu não tenho tanta empatia pela pessoa, mas ela tem por mim e isso acaba me concedendo um pouco de responsabilidade….

    Para falar a verdade ser tio e irmão mais velho provavelmente me causou vários atrasos de vida no sentido financeiro e profissional. Digo mais, optar por levar todo relacionamento muito a sério é muito desgastante e paga-se um preço por isso, mas prefiro chegar ao fim da vida sabendo que não naveguei ignorando os outros a enriquecer etc. E olha que não acredito que exista qualquer coisa além da morte ;-) Só acho mesquinho não ajudar quando podemos.

    Amigo e marido acho que são muito próximos, é quando, sem qualquer esforço, as pessoas decidem transformar o mundo e se transformarem juntas! Não tem essa de sintonia, necessidade de ir para o mesmo caminho… Podem ser pessoas diametralmente opostas, mas estão ligadas por um amor sem entrelinhas, por cumplicidade, fidelidade (não do corpo, mas da alma) e uma empatia que é mútua.

    A diferença entre amizade e casamento para mim não está no sexo, mas na profundidade da empatia que une os dois, mas isso eu sei sentir, não sei dizer…

  3. Kris Arruda disse:

    Concordo muito e tenho discutido isso bastante com os amigos.

    Acho que o povo não está se encontrando…isso sim…

    Tenho certeza que tem gente que namoraria comigo mas eu não correspondo, assim como eu namoraria com outras que não correspondem.

    Falta encaixar.

  4. Glauber disse:

    Seu texto diz exatamente o que passei / passo com uma ex. Ela tem um filho, mora sozinha. Eu moro com meus pais (mesmo que “sair de casa’ seja a primeira opção da minha wishlist).

    Éramos amigos antes do relacionamento, que aconteceu do nada. Não namoramos mais, mas estamos juntos por um bom tempo ficando esporadicamente, fazendo o melhor estilo friends with benefits. O que acontece é que continuar amigo/ficante de uma amiga / ex namorada é muito complicado. Rolam uns pequenos ciúmes, cobranças e acabamos que perdemos a possibilidade de entrarmos em outros relacionamentos.

  5. Rafael Kafka disse:

    É muito complicado alguém confiar hoje em dia.

    E quando surge o menor rumor de que a namorada traiu o homem vira a piada da roda de amigos, o “corno”.

    Todos tem fobia disso e tratam de fugir ao menor sinal de compromisso salvo quando aparece alguma que o grupo vê como “santa impoluta”, “mulher para casar”, etc.

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